Adoro quando me contam uma história de amor que não é inventada, mas real.
Li ontem no caderno Mais a respeito da história do escritor T. S. Eliot e Valerie Fletcher, sua segunda mulher. Ela tinha 3O anos quando se casou com ele, à época um homem de 68 anos, louco para viver um grande romance.
Ficaram juntos pouco mais de 5 anos. Ele morreu apaixonado. Ela mergulhou na dor e depois retomou sua vida. Não sei se voltou a se apaixonar, mas é bem provável que sim. Afinal, amou um poeta.
Uma das fotos que ilustram a matéria mostra o casal de mãos dadas lendo o folheto de um espetáculo teatral. É uma foto muito bonita, em que os vemos lendo juntos, ele todo concentrado com o papel em uma das mãos, ela vendo aquilo que ele provavelmente lhe lê em voz baixa. As mãos entrelaçadas não se desgrudam mesmo quando buscam no folheto uma palavra perdida.
É uma atitude típica de casais apaixonados. Parece-lhes impossível perder o contato. Se não se entreolham (porque estão lendo um papel), se pegam. Atreva-se a puxar uma daquelas mãos!
Tenho sérias dúvidas sobre a tradução de poemas. Será que vale a pena ler poesia traduzida? Que me perdoem os tradutores, os "recriadores", mas sejamos realistas: o original é um, o poema traduzido é outro. Mas leio. Não sei língua nenhuma o suficiente para abdicar de uma tradução. Mas leio sabendo que estou diante de algo apenas "parecido" com o que o autor criou.
Toda essa explicação é um tentativa de justificar o trecho de um de seus poemas mais famosos que reproduzo abaixo.
A tradução é de Ivan Junqueira. O poema todo está disponível neste
link:
A CANÇÂO DE AMOR DE J. ALFRED PRUFROCK
Sigamos então, tu e eu,
Enquanto o poente no céu se estende
Como um paciente anestesiado sobre a mesa;
Sigamos por certas ruas quase ermas,
Através dos sussurrantes refúgios
De noites indormidas em hotéis baratos,
Ao lado de botequins onde a serragem
Às conchas das ostras se entrelaça:
Ruas que se alongam como um tedioso argumento
Cujo insidioso intento
É atrair-te a uma angustiante questão . . .
Oh, não perguntes: "Qual?"
Sigamos a cumprir nossa visita.